quarta-feira, 19 de março de 2008

Fim-de-semana à descoberta da Roménia…

Sábado 15 de Março: Târgu-Mureş şi Sovata

Quase ao fim de um mês pela cidade de Braşov reservámos o fim-de-semana para ir à descoberta de novos locais por este país imenso que é a Roménia. Estava previsto sairmos com direcção a Târgu-Mureş no Maxi táxi das 9h de sábado, assim que chegámos à gare dos autocarros já o restante pessoal Erasmus aguardava por nós. Dirigimo-nos então até aquilo a que eles chamam um Maxi Táxi e que não passa de uma carrinha de transporte de pessoas, tal e qual aquelas dos centros de dia e ATL. Começamos a entrar reparámos que faltavam dois lugares, e como a viagem era de 4h seria complicado ir em pé tanto tempo. Os meninos optaram então por ficar e disseram-me para ir com o resto da malta. Confesso que não achei piada ao facto de nos separarmos mas eles insistiram e disseram-me que iam ver se havia maneira de irem ter connosco. Sendo assim parti à aventura com 5 franceses, 2 portuguesas, 1 italiano e 1 checa. À hora prevista partimos com direcção a Târgu-Mureş, eu que estava cheiinha de sono pois não tinha dormido bem ainda tentei fechar os olhos e dormir mas não deu, íamos muito apertadinhos e tinha o Guillaume a falar constantemente para mim. Ao fim de 1h de viagem deu-se a 1ª paragem e ficaram uns quantos lugares vagos, eu pensei logo nos meninos, podiam ter vindo e aguentar aquela hora em pé, ou sentados no chão, mas pronto também não sabíamos que isto ia acontecer. Já com algum espaço para me esticar consegui dormir uma sesta, mas por pouco tempo pois paramos novamente ao fim de 1h para um descanso de 15m. Quando saímos à rua estava um frio de cão, a paisagem n era de todo bonita mas deu perfeitamente para tirar uma foto de grupo.


Voltámos à estrada e eu já n dormi mais, fui então o resto da viagem a observar a paisagem. Reparei que talvez devido ao Inverno rigoroso que se faz sentir tudo é extremamente feio, os montes com pasto seco, as árvores completamente nuas, via-se uma aldeia de vez em quando mas muito pequena por sinal.


Após 4h de termos abandonado Braşov chegámos ao destino, assim que pusemos os pés fora da carrinha, levei com um raio de sol nos olhos, que maravilha pensei, pus logo os belos dos óculos de sol. Infelizmente este sol durou por poucos minutos pois quando começamos a andar em direcção ao centro da cidade veio uma rajada de vento seguida de uma chuva miudinha… Lá tive de arrumar os óculos e sacar do chapéu para proteger a cabeça.
A primeira paragem foi num restaurante para almoçar, escolhemos um indicado no roteiro que o pessoal trazia e sem dúvida que se comeu bem e por pouco dinheiro, a ementa foi um crepe com panado de galinha, batata frita e muitos molhos, algo esquisito mas saboroso. Após o almoço demos uma pequena visita pela cidade enquanto fazíamos tempo para apanhar novo Maxi táxi. Do que vi esta é uma cidade muito organizada, prédios novos, passeios arranjados, igrejas gigantescas, mosteiros e muitos parques. Houve porém um local que a todos pareceu estranho, dentro de umas muralhas num pequeno monte da cidade existe uma pequena aldeia, aí onde supostamente esperávamos encontrar algo interessante apenas vimos casinhas fechadas e uns quantos apetrechos de circo, um palco e um carrossel guardado por 1 indivíduo que se movimentava numa daquelas cadeiras de rodas eléctricas. Todos achamos estranho, e comparamos o sítio àqueles das aventuras dos 7, bem pensei eu para mim, n veio o alenta para fazer os seus filmes de terror mas já cá estão substitutos…LOL!








Chegada a hora de apanhar novo transporte dirigimo-nos então à gare de autocarros, pelo caminho vi algo realmente surpreendente, num passeio estava uma senhora com uma balança (devo dizer que parecia que tinha 50 anos, a balança claro!) para pesar as pessoas em troca de dinheiro, que bonita forma de ganhar a vida às custas do desespero das pessoas.
Apanhamos o transporte devido com direcção a Praid para passarmos a noite. A viagem foi bastante turbulenta, feita por caminhos completamente rurais mas mesmo assim eu e a Bárbara conseguimos dormir. Quando acordamos os restantes companheiros estavam admirados com o facto de termos adormecido no meio de tantos saltos e curvas. Eles logo nos informaram que tinham sido alterados os planos, pois visto que a maioria das pessoas já tinha visitado a vila onde queríamos ir no Domingo iríamos ficar numa aldeia termal que ficava a caminho de Praid.
Sovata, assim se chama a aldeia que fica num vale e é banhada por um lago enorme que no Verão é bastante frequentado como Praia Fluvial. Quando começamos a entrar na aldeia vimos tudo menos algo que se parece-se a uma zona turística, mas após informarmos o condutor que queríamos pernoitar lá, ele guiou-nos até à zona turística. Descemos perto de um mercado com produtos típicos e fomos subindo a rua em busca de um local para dormir, tínhamos indicações de que havia Bungalows baratos e então fomos ao seu encontro. A rua é sem dúvida engraçada, pois está repleta de casas de madeira com arquitectura muito peculiar, existe uma igreja toda de madeira pintada de preto que é lindíssima pelo menos no exterior. Ao chegarmos à praça Central encontramos uma grande comemoração, pessoas em cima de um palco, vestidos tipicamente e dançando músicas tradicionais, numa outra ponta imensos cavalos guardados por homens também eles trajados a rigor. Sem dúvida um momento de grande beleza, aí tive aquela sensação de estar a assistir a uma festa típica, daquelas que até ao momento só tinha visto na TV. Por trás desta pequena praça estava o lago, que mesmo nesta altura do ano é lindo e extremamente imenso. Após breves momentos de descanso fomos então em busca do local para pernoitar, nessa altura começamos a ouvir uma moças a recitar poemas, e apesar de ainda não estar na Roménia à tempo suficiente para entender a língua, aquilo que ouvia era todo menos romeno. Foi então que a Amandine me explicou que aquela zona é habitada por uma grande comunidade húngara, as pessoas falam húngaro, as bandeiras içadas são da Hungria e tudo está escrito em húngaro, resumindo são romenos que vivem na Roménia mas como se ali fosse a Hungria. Que coisa estranha comentei, ainda por cima estávamos no meio do país e não numa zona fronteiriça. Bem, lá continuamos em direcção ao Bungalows e qd chegámos ao local vimos algo bonito uma zona enorme com dezenas de pequenas casinhas de madeira dirigimo-nos à recepção onde estava um senhor que só falava alemão. Valeu o facto de a Amandine saber qq coisa da língua e conseguir assim perceber o homem e explicar o que queríamos. Ele disse que os Bungalows só funcionavam no Verão mas que tinha uns apartamentos para alugar, lá foi ela e a Catarina 3 ver os apartamentos que ficavam numa gigante construção de madeira com uma placa a dizer “Pensiune Eden 5*”, nós que ficamos cá fora comentámos logo que deveria ser caro mas aguardámos a vinda delas para saber mais sobre as condições. Assim que chegaram disseram logo que aquilo era horrível, mas entraram de novo para a recepção e aí dirigiram-se ao grupo desta vez seriamente para dizer que era um luxo e que ficava apenas por 12€ a noite a cada um. Não hesitámos em ficar ali como é lógico, pagámos o devido preço e de mochilas às costas dirigimo-nos à entrada. Quando se abriram as portas dos apartamentos, tivemos de alugar dois pois éramos 10 pessoas, vimos algo sem dúvida magnifico, um espaço enorme com tudo do bom e do melhor, caminhas com fartura e casas de banho com banheiras gigantes, ah e uma varanda enorme com vista para uma parte da aldeia num apartamento e noutro com vista para o lago. Sem dúvida que um local daqueles não é propriamente fácil de encontrar àquele preço… Tendo já largado as mochilas e descansado um bocado saímos em direcção ao pequeno centro para comprar bebidas e acepipes para fazer uma “Big Party” (expressão Erasmus) durante a noite. Num pequeno supermercado deparamo-nos com o tal problema da língua, mesmo falando em romeno as pessoas ou não percebem, ou então fingem que não percebem. Mas conseguimos comprar o que queríamos e de seguida fomos procurar local para jantar, não foi fácil pois poucos sítios estavam abertos, isto às 20h, mas encontramos um restaurante onde fomos mal servidos e pagamos bastante, até queriam que pagássemos por terem trazido ketchup para a mesa, o qual nenhum de nós consumiu, como não somos parvos viemos embora sem o pagar.
Já no apartamento passámos uma noite animada no meio de uns copos de vodka, cerveja acompanhado por batatas fritas e outros aperitivos. Como não havia musica e os canais da TV tb só davam coisas sem interesse tivemos na conversa toda a noite. Quase sempre em francês, pois a maioria eram franceses, claro que no meio dávamos umas bacuradas em português, ensiram-se umas asneiras em diversas línguas e já perto da meia-noite todos recolhemos pois o dia seguinte seria longo e para tal era preciso acordar cedo.

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