Após uma noite bem dormida, levantámo-nos cedo para continuar a viagem. Abandonámos para grande tristeza a Pensão de Luxo e a pequena aldeia de Sovata com destino a Praid. A viagem foi curta pois são apenas 8 os quilómetros que separam as duas aldeias. Assim que chegámos a Praid dirigimo-nos ao posto de venda de bilhetes da mina de sal que é famosa na aldeia e a qual queríamos visitar. O bilhete foi um pouco mais caro que aquilo que prevíamos mas como andávamos de visita não hesitamos em comprá-lo. O transporte que nos levou para dentro da mina foi sem dúvida engraçado, um autocarro igual àquele que todos conhecemos como meio de transporte de alunos, pessoas, etc. A viagem é então feita por um túnel até chegarmos a cerca de 100m abaixo do solo, depois de sairmos do autocarro, ainda tivemos de descer uns quantos degraus até atingir os 120m de profundidade onde se encontra a parte reservada às visitas da mina. O local é bonito mas ao mesmo tempo estranho, pois são uns quantos túneis de grande altura escavados na rocha, lá dentro sente-se um odor a sal que chega a picar na boca, o ar é pesado mas segundo dizem bastante saudável. Daí a maioria das pessoas que nos acompanhou na visita serem famílias que levam os putos e o farnel atrás e ficam durante umas horas dentro da mina a fim de respirarem aquele ar. É uma cena engraçada pois a mina tem uma zona repleta de mesas e bancos assim como um parque para os mais pequenos, no meio há um museu que não passa de uma exposição de desenhos de miúdos e uma capela que por sinal estava escura, pois não havia luz nessa zona, então e para podermos ver alguma coisa andámos todos com os telemóveis na mão a servir de foco. A visita fez-se rapidamente pois nada mais havia a ver. Subimos então as escadas de volta ao túnel onde estaria o autocarro e deparamo-nos com as portas fechadas, tivemos então de esperar sentadinhos nos bancos pela chegada do mesmo.
Ao fim de meia hora de espera chegou então o nosso transporte e fizemos a viagem de retorno à superfície, depois dirigimo-nos à paragem de autocarros para apanhar um que nos levaria a Corund uma outra aldeia próxima de Praid e que é conhecida pelo seu mercado de produtos típicos. Enquanto esperávamos a chegada do autocarro, vimos umas quantas cenas caricatas, pessoas tipicamente vestidas, velhotes extremamente admirados por nos ver ali e a ouvir atenciosamente as nossas conversas e mais uma vez placas com inscrições em duas línguas, romeno e húngaro.
O autocarro por fim chegou e fizemos a pequena viagem até Corund. A aldeia é relativamente pequena, tem uma grande estrada onde se amontoam pequenos mercados com produtos típicos, toda a gente nos chamava para ver e claro comprar. Nós apenas fizemos uma pequena visita a algumas barracas e dp fomos em busca de um restaurante.
Após andar alguns metros encontramos um restaurante onde decidimos entrar, o Guillaume perguntou em romeno a uma senhora se podíamos almoçar, ela disse que sim e perguntou quantos éramos, ele lá respondeu e após uns alguns segundos ela responde que não dava para almoçar pois o restaurante estava reservado. Estranho pensámos nós tanta pergunta para depois dar aquela resposta. Bem sem qualquer opção de escolha tivemos de percorrer cera de 1km pois o único sítio que servia almoços ficava no fim da aldeia. O percurso foi desgastante pelo meio vi algo engraçadíssimo, se num lado na estrada passavam carros de topo no outro passavam carroças puxadas a cavalo carregadas de ciganos, finalmente tive noção que estava na Roménia pois via aquelas que dizem ser as pessoas naturais daqui, os ciganos.
Ao fim da longa caminhada encontrámos o tal restaurante que novamente estava reservado, sem opção tivemos de fazer o choradinho à empregada e pedir que pelo menos nos servisse uma sopa para forrar o estômago. O pedido foi aceite e lá conseguimos comer a bendita sopinha, após o pequeno repasto fizemos a viagem de regresso ao centro com intuito de apanhar o autocarro que nos levaria de regresso a Braşov. Apanhamos um autocarro que nos levou a uma cidade que confesso não saber o nome e dp ai teríamos de fazer nova viagem ai com direcção a Braşov. A viagem foi curta e nada complicada. Ao chegarmos ao destino deparamo-nos com um problema ninguém sabia qual o transporte que nos guiaria a Braşov, valeu-nos a senhora da bilheteira que ao ouvir falar francês se prontificou a fazer uma ligação telefónica para um senhor que falava francês e que nos iria dar as indicações necessárias. Após sabermos qual o transporte a apanhar tivemos de aguardar um pouco a chegada do mesmo, enquanto aguardávamos tivemos de aturar um pequeno miúdo que andava a pedir esmola, a certa altura e porque já estava farto de o ouvir lembrei-me que tinha uns chocolates na mala, peguei neles e dei-os ao miúdo que virou costas e foi logo tentar vendê-los. Bem, naquela altura tive noção que não vale a pena ter piedade destas crianças elas já tem aquele vício do negócio no corpo! O Maxi táxi chegou e seguimos viagem, aqui convém dizer que num autocarro onde deviam ir 11 pessoas chegaram a estar 27, a viagem foi feita por caminhos de terra batida, só arranjamos lugar ao fim de uma hora de viagem e o mais stressante foi que demorámos 3h para fazer 80km.
Durante a viagem vimos aquilo que realmente nos faz perceber que estamos num país de leste. O desenvolvimento é pouco, as estradas são na sua maioria de terra batida, as aldeias são pequenas e bastante distanciadas umas das outras. Apesar de não se ver grandes paisagens, valeu a pena a viagem por podermos estar perante uma realidade completamente diferente daquela a que nos deparamos nas grandes cidades. Bem, já com a noite a romper no céu e com o estômago a pedir algo, chegámos a uma pequena vila que fica a 30km de Braşov onde tivemos oportunidade comer qualquer coisa numa estação de serviço e depois apanhar novo Maxi táxi com destino a nossa casa. A viagem foi rápida e por fim chegámos de novo a bela cidade que nos está a acolher…
Um fim-de-semana sem dúvida cansativo mas que valeu a pena pois pude ver coisas bonitas, e conhecer uma realidade bastante diferente, algo que quero repetir com toda a certeza!



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