terça-feira, 15 de abril de 2008

"Vira as costas ao vinho, mas não ao Trabalho!!"

6h30 da manhã… trimtrimtrim: “Oh não… eu não quero sair da cama!!!” pensei eu! Acordar a esta hora é um crime, mas ainda pior sendo 2ª feira e tendo eu adormecido lá prás 4h da manhã depois de umas horas de internet ao ar livre e muita conversa…
A muito custo tive de me levantar, lavar a cara com água bem fria para ver se acordava e toca de chamar o alenta que o tempo era pouco, entretanto o Ricardo saiu do quarto ainda com aspecto de quem estava a dormir. Fardámo-nos a rigor, preparamos o farnel e saímos de casa rumo ao encontro do Prof. Nicolescu, pois esperava-nos um dia de actividades florestais decorrentes da disciplina de Silvicultura!
À hora marcada (7h20m) estávamos nós a entrar para o carro do professor que nos ia levar até ao local dos trabalhos, a viagem foi curta pois tivemos de ir ao encontro dos restantes alunos que aguardavam na gare dos autocarros. Mal saímos do carro demos uma corrida até ao supermercado das bombas de gasolina para ir beber um cafezinho para ver se despertávamos. Engraçado foi o comentário do prof. assim que voltámos para junto dele, “Isto é mesmo típico dos portugueses, café logo de manhã!”, se é um hábito tipicamente português eu cá não sei, mas que nos ajudou a abrir a pestana lá isso ajudou.
Após se reunir toda a gente seguimos rumo ao terreno onde iríamos trabalhar, desta vez os moços foram no carro de um colega pois havia espaço e não se justificava irem 5 pessoas num carro, e eu fui com o professor e a sua esposa. Aqui confesso que ao entrar no carro só com eles os dois pensei, “Isto agora vai ser lindo, eles vão falar para mim em inglês e eu vou-me atrapalhar toda”, mas tal não aconteceu pois qual não foi o meu espanto qd o professor diz: “Excusez moi, c’est toi qui parle français?” Ai que alivio, respondi logo que sim e lá fomos os dois a conversar em francês todo o caminho. Ele todo contente pq já não falava francês à mais de um ano e eu felicíssima pois pude expressar-me com facilidade e sem correr o risco de não comunicar por não saber, pode ser que ele tome este meu dote em conta na hora de dar a nota final… Durante a viagem confirmei mais uma vez, que esta gente é maluca a conduzir pois o homenzinho cortava as curvas todas e ia sempre a topo mas a viagem foi rápida e chegámos ao local à hora ideal para começar um dia de trabalho, 8h da manhã.
Houve uma pequena explicação do que se ia fazer e toda a gente pôs mão à obra, toda a gente menos nós pois está claro. O trabalho é bom, mas é quando os outros o fazem e nós ficámos a primeira meia hora a observar aquela malta a trabalhar, já a imaginar quando formos Engº Florestais com altos empregos em que só iremos mandar trabalhar e ficar apenas a controlar os empregados!
Passado então o tempo de observação e visto que parecia mal estarmos ali feitos turistas pedimos ao professor para nos explicar o que podíamos fazer, e ele lá nos deu uns instrumentos de corte e indicou onde deveríamos trabalhar como se pode ver no seguinte vídeo (desculpem-me os ouvidos mais sensíveis mas todo o português que se preze quando trabalha utiliza a linguagem mais rudimentar que se conhece, o chamado calão!)





E deste modo, passámos uma manhã bem divertida, pois íamos cortando uns ramos a umas árvores, tirando umas fotos e batendo muito paleio enquanto os outros desgraçados se esfolavam a trabalhar.
O professor de vez em quando explicava-nos coisas sobre técnicas efectuadas em Silvicultura, e mandava umas piadas pois via bem que nós não queríamos trabalhar muito, a malta do curso a pouco e pouco lá se foi metendo-se connosco e claro falando de tudo menos de Silvicultura. Não posso deixar de referir o facto de por volta das 10h da manhã um dos alunos ter aparecido com uma garrafa de vinho branco e a maioria das pessoas ter mandado umas goladas na mesma, isto não é só em Portugal que a malta gosta de abastecer o motor para trabalhar está mais que visto…





Por volta da 1h parámos os trabalhos para o merecido almoço, nós lá tiramos a garrafinha de água e as sandochas da mala e enquanto nos preparávamos para forrar o estômago, a restante malta começou a tirar das malas queijo, torresmos e um pedaço de carne da barriga que segundo dizem é típico desta região, mas se isto já foi algo bonito de se ver, melhor foi qd a mulher do professor sacou de uma garrafinha de vodka e outra de vinho e nos ofereceu... Uih, vodka ao almoço, esta gente é mesmo maluquinha. Mas o que é certo é que após termos comido as nossas sandochas e experimentado os petiscos dos colegas não resistimos e demos um gole na garrafa de vodka para acelerar a digestão. Após o almoço tivemos direito a uns momentos de descanso em que só nos apeteceu dormir uma sesta, mas tal não aconteceu e por volta das 2h retomamos os trabalhos.



Mais uma vez vimos mais os outros a trabalhar do que trabalhámos, mas contudo ainda demos umas ajudas para não parecer mal e claro fizemos uns videos para marcar o acontecimento.






Por volta das 15h o professor que se tinha ausentado pela manhã voltou para junto de nós e consigo trouxe água e claro cerveja. Interessante este espírito entre professores e alunos, nada que se pareça com o da Agrária.




Soubemos depois pelo professor que aquela gente estava ali voluntariamente a trabalhar e daí o espírito ser tão bom. Sem dúvida um método muito inovador para chamar alunos ao trabalho.



O dia de trabalhos acabou por volta das 16h e aquando da partida para Brasov tudo o que era bebida foi devidamente passada por todos nós de forma a que não sobrasse nada para levar para casa. De nós os três o Ricardo foi o que mais ajudou os moços a esvaziarem as garrafas, como é lógico tdo porque é má educação rejeitar bebida!!

Este foi sem dúvida um dia diferente e cansativo mas para nós, mas valeu bem a pena levantar tão cedo e chegar a casa com as mãos cheias de resina e o corpo de arranhões. Um florestal é assim não vira as costas ao trabalho nem tão pouco ao vinho, só me resta dizer que o poder de LERF foi sem dúvida bem representado por nós neste dia.

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